Fatores Psicológicos do Excesso de Peso

Fatores Psicológicos do Excesso de Peso

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Fatores Psicológicos do Excesso de Peso

Resumo

Este artigo tem o objetivo de discutir sobre os aspectos psicológicos presentes na pessoa com excesso de peso, mostrando a relação entre o excesso de peso e os distúrbios emocionais, apresentando alguns estudos sobre a influência dos mecanismos para regular a ingestão do alimento: fome e apetite, da ansiedade, dos distúrbios, da imagem corporal e da sexualidade na dinâmica do excesso de peso, propondo a abordagem psicodinâmica para o atendimento psicológico do excesso e peso. 

Introdução

Um dos problemas de saúde pública mais importante e preocupante deste novo século é o excesso de peso, devido ao seu crescente aumento e suas enormes conseqüências. Diante disto é fundamental que os profissionais da área da saúde estejam preparados, identificando os principais aspectos que se apresentam, atuando de maneira positiva em direção o melhor estilo de vida.

Podemos dizer que o excesso de peso é o acúmulo exagerado de gordura no tecido subcutâneo. De acordo com Mancini (2001) embora a diferença entre a normalidade e o excesso de peso seja arbitrário, é prudente considerar como medida o quanto à saúde física e psicológica são afetadas e a expectativa de vida é reduzida em função do aumento do peso. Os últimos estudos dão ênfase às implicações fisiológicas, psicológicas e sociais relacionadas ao excesso de peso.

Segundo Monteiro et al (1995) os estudos epidemiológicos nos mostram que em 1974, já havia uma proporção de 1,5 desnutridos para uma pessoa com excesso de peso na população adulta brasileira. Em 1999, a proporção de pessoas com excesso de peso dobrou em comparação a desnutrição.

No Mundo não é diferente segundo o Relatório do Instituto Worldwatch intitulado Underfed and Overfed: the Global Epidemic of Malnutrition que considerou estatísticas colhidas pela OMS e outros órgãos da ONU, pela primeira vez, o número de pessoas com excesso de peso se apresenta igual ou maior do que os desnutridos. Conforme dados coletados pela Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição / IBGE, pelo Monego (1996) cerca de 32% de adultos brasileiros apresentam algum grau de excesso de peso, o problema é grave em todas as faixas de renda e em todas as regiões, sendo a situação mais crítica na região Sul do país.

É importante salientar que a preocupação com esta doença tem a ver com as co-morbidades que estão a ela relacionadas. As pessoas com excesso de peso apresentam um grau de morbidade e mortalidade muito maior que os de outros grupos, principalmente no que diz respeito às doenças cardiovasculares e a diabetes millitus segundo Halpern (1987) e Mancini (2001).

Do ponto de vista socioeconômico Seidell (1998) relata que tais condições interferem na produtividade da pessoa, além de gastos indiretos nos setores da saúde. Já em relação aos distúrbios emocionais e excesso de peso existem idéias divergentes nas investigações.

Mustagoki em 1987 questiona e contesta esta relação argumentando que os estudos feitos sobre o assunto são realizados a partir de sujeitos que estão em tratamento ou que passam por consultas psiquiátricas. Quando os pacientes de outras especialidades da medicina e da área nutricional são estudados, os resultados se modificam.

No artigo de psicopatologia e obesidade Wadden e Stukard (1987) compartilham com estes argumentos, eles demonstram que os primeiros estudos psiquiátricos reforçavam a percepção popular de que as psicopatologias eram comuns entre os obesos e que tinham um lugar importante no desenvolvimento da obesidade. Contudo, as investigações mais recentes vêm demonstrando que os distúrbios psicológicos são mais freqüentemente ligados às conseqüências da obesidade do que às causas. Ressaltam que as dificuldades emocionais estão mais ligadas a obstáculos culturais e a preocupação constante com o emagrecimento.

Os autores acrescentam que muitas pessoas com excesso de peso podem experimentar dificuldades emocionais que não são mensuradas por testes psicológicos. Tais dificuldades normalmente estão relacionadas com questões específicas tais como frustrações pelo excesso de peso ou solidão, devido ao abandono de amigos por não entenderem o seu problema. Estas dificuldades podem acarretar alguns distúrbios emocionais.

Segundo relato de Camillot (1997) indivíduos com excesso de peso, em função de sua conduta impulsiva frente à comida, apresentam diferentes maneiras de fazer contato com a realidade devido às dificuldades de obter insight reais e mecanismos de defesa especiais, e por isto, podem ser incluídos dentro das “psicopatias”.

Kathalian (1992) salienta que quando já está estabelecida a obesidade, o indivíduo passa a viver em função das dificuldades que o excesso de peso traz. É exatamente neste momento que uma série de aspectos ligados à gordura passam a incomodar: A pessoa tem dificuldades de executar o ato sexual, limitações em atividades na praia, esportes e atividades sociais, vergonha, sentimento de inferioridade, dificuldade de comunicação e muitos outros.

O excesso de peso passa a ser visto como um aleijão, algo que se tem de carregar para o resto da vida, foco de toda angústia e dificuldades existenciais. Cabe salientar que essa somatização para muitos, traz tranqüilidade e paz, desloca toda e qualquer dificuldade emocional e canaliza para a necessidade de controlar o peso.

Acrescenta Boyd (1989) que o excesso de peso é uma razão socialmente reforçada para a infelicidade e depressão. Segundo ele é mais fácil atribuir sentimentos de frustração, raiva e inutilidade para a pessoa com excesso de peso do que aceitar as verdadeiras origens dos seus problemas. Ressalta ainda os efeitos psicodinâmicos do excesso de peso como, por exemplo, auto-estima muito baixa, ocorre pelo fato de não ter um físico aceito socialmente.

Kahtalian declara (1992) que na década de 30 a obesidade era incluída somente dentro dos “distúrbios das glândulas endócrinas”, e foi a partir das décadas de 40 e 50, que a aproximação com a questão psicológica começou a receber maior ênfase, e mais recentemente é que os fatores emocionais começaram a ter importância para os profissionais que lidam com o excesso de peso.

Quando se fala em fatores psicológicos, as pesquisas se voltam para a influência da cultura, ambiente, história familiar, estrutura de personalidade e o inconsciente das pessoas com excesso de peso. A maioria destes estudos também contribui para o entendimento dos fatores de personalidade que podem conduzir ou manter o excesso de peso. No entanto, o exato mecanismo pelo qual alguns destes fatores contribuem para o excesso de peso, ainda não foi claramente explicado.

A valorização dos fatores psicológicos no tratamento em nossos dias, tem tido cada vez maior reconhecimento. A cada dia mais pessoas buscam tratamento, não somente de dieta e atividade física, mas também psicológica. É importante salientar que tal procura pode variar desde uma psicoterapia tradicional a um aconselhamento, ou uma psicoterapia breve.

Camillot et al (1977) já dividia os fatores desencadeantes da obesidade em 3 grupos: fisiológicos, psicológicos e sociais. Dentro dos fatores psicológicos os teóricos salientam alguns eventos tais como: o nascimento de irmãos, separação de pais, o início da escola, a adolescência, serviço militar, o casamento. Os autores relatam que em relação a casamento é muito comum ocorrer em mulheres e tem relação com suas atividades estereotipadas frente a sexualidades e a vida em comum.

Além dos fatores somáticos e psicológicos, Kaplan e Kaplan (1957) ainda incluem, entre as causas do excesso de peso, os mecanismos reguladores da alimentação, ou seja, a fome e o apetite.

A fome é entendida como o desejo de comer, despertado por sensações fisiológicas; já o apetite tem sido descrito como o desejo de comer, que envolve a lembrança da sensação agradável de se estar satisfeito. Ele é despertado pela aparência do alimento, seu cheiro, seu sabor e é a maior força psíquica na regulação da ingestão do alimento no homem.

Fica claro que, fome e apetite influenciam diretamente na qualidade da comida a ser ingerida. Desta forma, uma pessoa com fome pode comer até se sentir satisfeita, mas o apetite pode induzi-la a comer mais, o que leva muitos teóricos a concordarem que o indivíduo com excesso de peso tem um distúrbio relacionado não com a fome, mas com o apetite.

Kahtalin (1992) relata que a fome, chamada biológica, é desagradável, dolorosa, desprazerosa e só acaba por meio da comida. Mas o apetite busca o prazer, a satisfação libidinosa e não tem compromisso com reservas calóricas. Na fome o corpo pede comida, mas no apetite a mente é quem pede.

Outra questão ligada à regulação da fome e a sociedade, é que segundo Anjos (1983) o obeso apresenta uma redução da sensibilidade para os sinais reguladores de “parada”. Não se sabe ao certo porque isto ocorre, mas com certeza não tem base científica, contudo não cabe achar que a pessoa com excesso de peso come muito porque “não tem vergonha”. Tal afirmativa não tem dado científico.

 

1- Excesso de Peso e Ansiedade

Segundo Spileber (1981) a ansiedade é um fenômeno de natureza emocional, que se manifesta como estado psicológico, ou seja, uma condição transitória que varia de intensidade e depende das formas de reação. Estas reações envolvem manifestações subjetivas e sinais fisiológicos relacionados com alterações da taxa respiratória e da pressão arterial, manifestando-se dentre outras formas, pela postura do corpo, os tipos de respostas ao stress, a maneira de executar certas tarefas. Para o autor a ansiedade também pode ser percebida como traço de personalidade, sendo consideradas umas tendências básicas da pessoa, que pode levá-la a estabelecer formas bem definidas de defesa.

Cabe salientar que há uma interação dinâmica entre estado e traço de ansiedade, ou seja, a ansiedade que se manifesta “agora” e que se caracteriza como o estado, pode assumir proporções que levam a pessoa a uma ansiedade crônica, passando a ser um traço.

A ansiedade é um dos problemas enfrentados pelas pessoas com excesso de peso. Segundo Stuart & Jacobson (1990) e a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica (1993) afirma que a pessoa pode aprender a comer, em resposta a ansiedade uma vez que a comida a diminui.

Alguns teóricos consideram a ansiedade como conseqüência da redução alimentar que enfrenta o indivíduo com excesso de peso em processo de emagrecimento. Abranson &Wunderlick (1972) com o objetivo de testar a hipótese de que o indivíduo com excesso de peso come para aliviar a ansiedade, elaboraram uma pesquisa com 33 sujeitos obesos e 33 de peso normal, do sexo masculino. Eles testaram o consumo de alimento, através da quantidade de bolachas consumidas durante 15 minutos. Enquanto as sujeitos esperavam, os pesquisadores deixaram um saco de bolachas na sala e anunciaram a possibilidade de um experimento à base de eletrochoque (usado como estímulo para ativar o medo).

Os resultados sugeriram que os sujeitos obesos foram mais reativos à ansiedade provocada pelo estímulo do que os sujeitos “normais”, embora a diferença de consumo alimentar não tenha sido significativa entre os dois grupos. Apesar desta atitude demonstrar que os obesos tendem a ter mais ansiedade, apresenta dúvidas em relação à proposição de que a comida representa um método de controle da ansiedade, pois se tratou de uma situação ameaçadora, onde não é possível generalizar este comportamento como um traço específico do obeso.

Santos realizou uma pesquisa em 1990 com o objetivo de verificar a ansiedade em 285 sujeitos obesos, de ambos os sexos, usando como metodologia o Inventário de Avaliação de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), constatou que as mulheres tinham a ansiedade aumentada em relação aos homens. Considera que a ansiedade é uma característica da pessoa obesa, sendo acentuada pela redução da ingestão alimentar, atribuindo a isto a dificuldade em seguir uma dieta.

Stunkard (1987) declara que isto ocorre em relação a outros distúrbios, e demonstra um estudo que realizou no qual verificou que mais da metade dos sujeitos que estavam em dieta hipocalórica tinham experienciado depressão, tensão, fraqueza e/ou irritabilidade. Continuando em outras pesquisas pode identificar a presença de depressão e de outras reações emocionais a regimes para redução de peso.

Salienta Stunkard (1974) que estas reações desencadeadas pela dieta são influenciadas também por fatores tais como: pessoas cujo problema de obesidade iniciaram na infância; restrições severas de calorias que podem produzir mais reações emocionais; o uso de medicação.